Via blog Lado B
Nesta quinta-feira (21), feriado de Páscoa, o Twitter ganhou uma presença iluminada e animadora, a da guerreira Maria da Penha, a mulher cuja história de vida e de luta foram emblemáticas para as organizações feministas do Brasil e sensibilizou o então Presidente Lula a batizar com o seu nome um marco legal no combate à violência contra a mulher – a Lei nº 11.340/2006 ou Lei Maria da Penha.
As paranaenses tiveram a honra de presenciar um encontro com esta grande mulher na Câmara Municipal de Curitiba, no qual ela fez um relato da violência sofrida e hasteou a bandeira da esperança frente aos desafios para se fazer valer a lei em todos os municípios brasileiros e a defesa da mulher vítima da violência familiar e doméstica. Infelizmente, Maria da Penha ouviu também o relato de parlamentares curitibanas, deputadas paranaenses e de lideranças feministas e deixou o estado com a certeza de que há muito trabalho ainda por se feito aqui na “província”. Ela nos trouxe uma ferramenta de luta e nós mostramos que ainda vivemos na idade da pedra dos direitos da mulher, graças à omissão, insensibilidade ou negligência do poder público.
Na região de Curitiba, a violência dispara. As mulheres tentam recorrer aos organismos competentes na Capital para protegê-las e têm de se submeter a uma segunda violência: a do descaso. Faltam casas-abrigo, faltam políticas públicas de amparo e o respeito passa longe! Somente no ano passado, após o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), assumir o comando das decisões no estado é que o Paraná se tornou signatário do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. E não foi por falta de apelo dos movimentos feministas daqui. Fomos um dos estados lanterninhas a aderir a essa ação do governo federal e até esse momento deixamos de captar uma série de recursos e de trabalhar em rede para de forma efetiva podermos investir no sentido de estancar essa sangria cruel. Antes tarde do que nunca. Agora, é preciso enraizar os avanços nos municípios e estruturar os meios públicos de proteger a mulher em todas as localidades paranaenses.
No ano passado, ainda, se conseguiu que o Poder Executivo encaminhasse para a Assembleia Legislativa do Paraná uma mensagem de criação da Secretaria Estadual da Mulher. Estava tudo indo bem até que Beto Richa (PSDB) assumiu o governo em janeiro de 2011 e resolveu criar a Supersecretaria da Família, com o objetivo de beneficiar uma única mulher, a primeira-dama Fernanda Richa, e retirou do Legislativo a mensagem de criação do órgão específico. Há muita luta pela frente.
A presença de Maria da Penha nas redes sociais, com seu exemplo de coragem e de perseverança, aproxima, fortalece e anima as mulheres em todo o País a se manterem firmes e confiantes no sucesso das nossas lutas e nos avanços que assegurem nossos direitos. Enquanto cidadãs, trabalhadoras e enquanto pessoas que merecem todo o respeito. Sem dúvida, o nível de desenvolvimento social e democrático de um povo pode ser medido pelo tratamento dispensado à mulher. Assim sendo, o Paraná e Curitiba merecem enquadramento em “crime de irresponsabilidade” e já que estamos na semana santa, vamos malhar esses Judas: denunciando e também “tuitando” os descasos por aqui.

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