quarta-feira, 23 de março de 2011

Tadeu Veneri defende política pública para produtores de fumo

Via Assessoria
 
 
 
Ao participar nesta quarta-feira da audiência pública sobre as mudanças na forma de produção do fumo, no plenário da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) defendeu a abertura do debate sobre a necessidade de formulação de uma política que dê suporte aos produtores para fazer a transição para uma nova atividade.
“Há três anos, fizemos uma audiência aqui neste local discutindo as mesmas questões, entre elas o preço pago pelas fumageiras aos produtores de fumo. O que mudou de lá para cá? As pessoas vêm aqui e prometem ajudar e depois, em Brasília, votam contra os produtores”, disse o deputado petista.  
O produtor de fumo precisa de suporte de uma política pública para amparar aqueles que quiserem migrar para um novo setor, disse Veneri. “Nós temos que debater mecanismos de para gerações de renda , como sair de um regime que tem traços de trabalho escravo, para uma atividade libertadora, que não leve o produtor a entregar suas terras para as grandes empresas”, afirmou. 
Atualmente, o Paraná é o terceiro maior produtor de tabaco do Brasil. Dos 399 municípios, 180 são produtores. Ao todo, estima-se que haja 35 mil fumicultores e 164 mil pessoas no meio rural que dependem da atividade que representa uma receita de R$ 500 milhões somente aos produtores.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Moradores sofrem com buracos nas ruas de Curitiba

Via O Estado do Paraná


Chove na cidade e muitas ruas de Curitiba voltam a ficar todas esburacadas.

Bastou uma chuva para que um velho problema conhecido dos curitibanos volte com força total. Buracos começam a aparecer nas ruas e dificultar a vida de quem precisa transitar pela cidade.
Na Rua José Nicolletti na altura do número 145, no Ahu, um destes buracos atrapalha a vida dos moradores e carros precisam desviar pelo meio da pista, onde passa uma linha de ônibus.  A situação, além de trazer prejuízos materiais, pode prejudicar a segurança do tráfego.
Na Rua Benvenuto Gusso, no Boa Vista, os moradores protestam contra a quantidade de buracos. “O povo paga IPTU, IPVA e ter as ruas desse jeito é uma vergonha”, reclama o comerciante João Carlos Belachi.
Para Josani Elisa Zalewski, moradora do mesmo bairro, os buracos já trouxeram prejuízos. Ela conta que quebrou a roda do carro ao passar por um deles, e que o problema é generalizado no bairro. “Eu acho um abuso essa situação uma vez que a gente paga tanto imposto e eles não arrumam as ruas”.
Juçara Vistuba, que também mora no Boa Vista, diz que as ruas mais próximas ao centro da cidade não enfrentam tantos problemas e é preciso mais atenção do poder público aos bairros. “O miolo do bairro eles esqueceram, mas na hora de pedir voto eles estão aqui”, reclamou.
Segundo ela, a rua por onde passa a linha de ônibus está pior. “O ônibus fica desviando dos buracos e a gente parece uma bolinha de ping pong”.
Celso Silva, morador da Rua União da Vitória desde 1978, também reclama das condições de tráfego. “Nós pagamos este antipó. A gente precisava que eles fizessem asfalto definitivo”, disse. Silva afirma que os buracos precisam ser cobertos constantemente e mesmo com o trabalho a rua está sempre esburaca, o que reduz o valor dos imóveis na região. “Eles cobriram esses buracos umas trezentas vezes”, desabafa.
Na Rua Lange de Morretes, no Bacacheri, um buraco localizado antes de uma curva obriga os carros a desviarem na contramão com pouca visibilidade, o que pode trazer sérios problemas de segurança. Gustavo Luiz Ansay, que mora no bairro há 23 anos diz que as obras na região são constantes e mesmo assim a rua está sempre esburacada. “Volta e meia cai um carro neste buraco. Dá até para escutar o barulho”, conta.
Serafina Schechtel também sofre com os buracos da Rua Alberto de Oliveira, no Bairro Alto. Segundo ela, o imposto pago à Prefeitura precisaria ser melhor aplicado. “Eles vivem remendando, mas não dura nada. Remenda, remenda e está sempre na mesma situação. É uma colcha de retalhos”, conta. 

quarta-feira, 16 de março de 2011

Máfia dos Radares: “É o baixa ou acaba do Ducci”, diz Tadeu Veneri

Via Portal Bem Paraná

O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) questionou ontem a decisão do prefeito Luciano Ducci (PSB) de romper unilateralmente o contrato de operação de radares e lombadas eletrônicas com a Consilux. Segundo Veneri, a atitude é no mínimo temerária do ponto de vista jurídico, além de ser incoerente com o histórico de relacionamento da prefeitura com a empresa.

“Acho que não tem base legal romper o contrato de forma unilateral com base em uma declaração veiculada em uma reportagem de televisão. Parece muito mais uma ação para abafar o escândalo. Certamente haverá multas e indenização que serão cobradas na Justiça pela empresa”, previu. “É o baixa ou acaba do Ducci”, disse, referindo-se ao slogan de campanha do ex-governador Roberto Requião (PMDB) e sua bandeira contra as concessionárias do pedágio, que deflagrou uma disputa judicial sem resultados práticos.
Veneri lembrou ainda que em 2009, a prefeitura brigou na Justiça para manter o contrato com a Consilux, apesar do Ministério Público ter apontado uma série de irregularidades na relação entre o município e a empresa. Na época, o MP considerou ilegal a prorrogação do contrato através de aditivos, sem a realização de nova licitação. “A prefeitura continuou cobrando multas mesmo sob questionamento da Justiça”, afirmou o petista. (IS)

Prefeito suspende contratos com a Consilux; mas CPI ainda precisa ser realizada

Via Blog do Nikoska

O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), anunciou nesta terça-feira (15), na Câmara Municipal de Curitiba, que o contrato com a empresa Consilux, que gerencia 140 radares e cerca de 40 lombadas eletrônicas na Capital, foi cancelado. Segundo Ducci, o serviço será estatizado.
A Consilux, junto com outras duas empresas da Região Curitiba (Perkons e Dataprom), foram acusadas por reportagem do Fantástico, veiculada neste domingo, de oferecer propinas a gestores corruptos e de apagar multas e infrações de trânsito em Curitiba. As denúncias reacenderam especulações com relação ao acidente que envolveu o ex-deputado Fernando Ribas Carli, que resultou na morte de dois jovens.
A vereadora Professora Josete (PT) considera acertada a medida adotada pela Prefeitura. “No entanto, ainda continuamos exigindo uma CPI para investigar a fundo a execução do contrato para a operação dos radares em Curitiba, afinal de contas, se não há problemas envolvendo a Prefeitura, os atuais gestores não têm o que temer”, afirma.
Seis parlamentares já assinaram o pedido de CPI que está sendo proposta pela Bancada de Oposição na Câmara.
Explicações da URBSA Oposição também sugeriu que o presidente da URBS, Marcos Isfer, preste esclarecimentos aos vereadores sobre as denúncias relacionadas à suposta Máfia dos Radares. Isso deve ocorrer na próxima semana, conforme anúncio da Liderança do Prefeito.
Contrato milionárioEm 2008, o então prefeito de Curitiba, Beto Richa, respondeu a um pedido de informações encaminhado pela Bancada do PT sobre o contrato com a Consilux. Segundo ele, no exercício de 2007, o total de multas de trânsito arrecadado pela URBS foi de R$ 45,93 milhões.
O valor total repassado à Consilux, no período de 07/06/2004 a 31/10/2008, foi de R$ 40,52 milhões.

Máfia das multas fatura R$ 2 bi por ano – Empresas curitibanas envolvidas até o pescoço

Via Fantástico
O repórter Giovani Grizotti mostra o retrato escandaloso de como funciona a indústria das multas no Brasil.

O Fantástico foi até a periferia de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul para documentar uma situação absurda: um edital que está pronto para ser publicado prevê a instalação de uma lombada eletrônica em uma rua de chão batido, onde só passam carroças e bicicletas e onde galinhas dividem espaço com poucos pedestres. O que está por trás desse escândalo? Corrupção.
Fraudes e muitas negociatas. É um retrato escandaloso de como funciona a indústria das multas no Brasil. Uma indústria que fatura R$ 2 bilhões por ano.
A investigação do Fantástico começa em Porto Alegre. Na capital gaúcha, o representante da empresa Engebrás, Marcio Paim Velho, se prepara para negociar a instalação de lombadas eletrônicas e radares fixos, também conhecidos como pardais.

A conversa foi registrada com uma câmera escondida pelo repórter do Fantástico Giovani Grizotti, que se passou por funcionário de uma prefeitura gaúcha e teve a colaboração de um ex-funcionário público do Rio Grande do Sul com experiência em licitações na área de trânsito.
Marcio faz uma avaliação de quanto pode pagar de propina. Ele diz que, em média, 10%. “Se quiser um pouquinho mais, um pouquinho menos, depende”.
Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito criou regras para a instalação de controladores eletrônicos de velocidade no Brasil. Pelas normas, é preciso um estudo técnico que leva em conta itens como quantidade de veículos e pedestres que utilizam a via, índices de acidentes e a velocidade permitida. Só com esse estudo, feito por empresas especializadas, é que pode ser autorizada a instalação de pardais e lombadas.
O representante da Engebrás indica uma empresa para fazer os estudos técnicos: ACT, de Porto Alegre.
Chamados pelo repórter e sem saber que estão sendo filmados, os três sócios da ACT foram até uma prefeitura do Rio Grande do Sul. Dois deles são também funcionários do governo gaúcho e um do governo federal.
São eles: João Otávio Marques Neto, funcionário da Eletrosul, uma estatal da área energética; Gisele Vasconcelos da Silva, técnica da diretoria do Detran do Rio Grande do Sul; e Paulo Aguiar, coordenador do setor de lombadas eletrônicas e radares do Daer, o departamento de estradas do estado.
Paulo Aguiar responde a processo sob a acusação de ter favorecido a Engebrás em um contrato que causou um prejuízo de R$ 13 milhões aos cofres do estado. A Engebrás foi a empresa que indicou os serviços da ACT ao repórter.
Dias depois do encontro na prefeitura, Paulo Aguiar recebeu o repórter supostamente interessado em contratar a ACT. O negócio é privado, mas a conversa foi na sala do Daer, em Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre. Paulo Aguiar propõe uma fraude: a contratação da empresa seria pela modalidade carta-convite, pela qual a prefeitura convida três fornecedores a apresentar um orçamento para depois escolher o de menor valor. Paulo indica duas empresas parceiras que devem ser convidadas a elaborar orçamentos. Elas vão apresentar um preço maior. Assim, a proposta da ACT será mais barata, e vai vencer a licitação
“Sem problema. Tenho mais duas empresas que trabalham comigo”, garante.
O contrato é fechado em outro prédio público. Desta vez, o segundo sócio da ACT, João Otávio, recebe o repórter na Eletrosul. Ele tenta aumentar o valor do contrato e oferece uma propina.
“Não dá para subir um pouquinho? Eu até passaria um percentual de comissão de 10%”, diz.
Gisele Vasconcelos, terceira sócia da ACT, entrega o orçamento na frente do prédio do Detran gaúcho, onde trabalha, e reforça que os outros dois orçamentos serão enviados pelo correio, com valores maiores, conforme combinado.
Os valores enviados pelos Correios são um pouco maiores que o da ACT, que apresentou um custo de R$ 20 mil.
No dia marcado para o pagamento, o ex-funcionário público que acompanhou as negociações aparece com um envelope supostamente contendo os R$ 20 mil da concorrência fraudada. Logo em seguida, chega o repórter do Fantástico.
Repórter: O que tem nesse envelope? Vocês estão fazendo alguma negociação aqui?
XXX: Não, senhor. Estamos almoçando, e esse cidadão veio aqui falar conosco.
Repórter: Quem é esse cidadão?
XXX: O senhor me desculpe, mas eu não posso.
Repórter: O senhor conhece esse cidadão que estava aqui?
XXX: Não. Não conheço. Ele chegou aqui e sentou. Não conheço.
Repórter: Nunca viu ele?
XXX: Não.
Repórter: Vocês não ofereceram propina para esse cidadão?
XXX: Pelo amor de Deus.
A investigação segue no rastro das fraudes praticadas pelas empresas que fabricam radares. Uma delas é a Perkons, de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, que tem contratos no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. A Perkons diz que inventou a lombada eletrônica e é líder no segmento no Brasil.
Alexandre Carvalho representa a empresa no Rio Grande do Sul. Logo no começo, ele revela como garantir a Perkons como a fornecedora dos radares para uma prefeitura, antes mesmo de começar a licitação: preparando um edital viciado.
Quem senta para negociar é o gerente da Perkons, Jobel Araújo, que confirma a oferta de propina feita pelo vendedor Alexandre Carvallho.
“O Alexandre me falou 8,5% daquele valor, mais que isso começa a ficar inviável”, diz.
A empresa preparou o edital sem realizar um estudo técnico, como manda a lei, para saber se nesses locais é necessário instalar os radares. Preste atenção no edital: Rua Gralha Azul. Este é o endereço que apareceu no começo da reportagem. Na viela de chão batido, a empresa confirma a necessidade de instalar lombada eletrônica. E nas quatro faixas. Que faixas são essas?
“É um absurdo, uma falta total de critério. Ela não é nem pavimentada. Não tem as mínimas condições técnicas para que se justifique a implantação de uma lombada eletrônica”, avalia o engenheiro de trânsito Mauri Pânitz.
Outras revelações comprovam a falta de critérios para instalar radares no país. Em Curitiba, há empresas que oferecem negócios mais lucrativos para as prefeituras corruptas. O encontro com o Alexandre Matschinke, vendedor da Dataprom, revela uma cena de corrupção explícita.
“Se tu me ‘der’ abertura para eu ir lá e montar o teu projeto inteiro, ‘você’ vai me falar: ‘Eu quero 15%, eu quero 10%’. Eu coloco isso no valor”, diz Alexandre Matschinke.
Ele admite que o custo da propina sai do bolso do contribuinte. Esqueça os percentuais comuns nesse tipo de negociação. Aqui, é tudo no meio a meio.
Outra empresa: a CSP, de Florianópolis, mesma prática. O vendedor Tiago Rodrigues diz que pode negociar de 12% a 15% de propina. “Como o montante é maior, eu posso negociar com que o diretor dê uns 15% tranquilamente”, afirma.
Negociada a propina pelo vendedor Tiago Rodrigues, é marcada a entrega do edital.
Até aqui ele imagina estar negociando com um assessor da prefeitura. Mas, quando o repórter se identifica, ele passa a negar tudo o que havia admitido segundos antes.
“Na verdade, não é direcionado. Eu não tenho nada para falar”, despista, afirmando que não ofereceu propina.
Ainda em Curitiba, o esquema se repete com a Consilux, que tem radares na capital paranaense e em São Paulo. Quem negocia é o diretor comercial, Heterley Richter Júnior. Ele promete o edital já pronto. A propina oferecida pela Consilux: 5%. O diretor da Consilux enviou a cópia do edital pela internet.
E será que todos os motoristas são iguais perante os radares? A resposta é não. É possível anular multas de apadrinhados políticos, amigos, parentes.
Perguntado se existe alguma maneira de livrar um cara desses da multa, o diretor comercial da Consilux assegura: “Tem. Você têm”. E confessa: a Consilux já anulou multas em Curitiba. Segundo ele, ninguém descobriu.
A equipe de reportagem segue para São Paulo, outro mercado explorado pela indústria da multa. São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de radares: 4 mil, quase 11 milhões de multas em 2010, uma a cada três segundos. Um representante de outro fabricante de radares, a Consladel, confirma a fraude que permite tirar multas antes que elas sejam enviadas ao Detran.
A partir daí, Cleberton Tintor segue o roteiro desse tipo de negociata: propinas, editais direcionados, fraudes.
“Eu tenho o edital pronto. Eu te passo os pontos e você ‘encaixa’ o valor que eu te dei.
Aí, eu acerto até o valor da comissão. Então, comissão de 3% a 5%, tira multa e direciona o edital”, explica.
Outra empresa paulista, a Splice, também faz parte do esquema ilegal. E as cenas flagrantes de corrupção se repetem. Sobra dinheiro até para a campanha eleitoral de prefeitos corruptos.
Para o vendedor da empresa, José Leandro Vitt, a fraude dos editais é comum no mercado. E acusa a concorrente gaúcha Eliseu Kopp de participar do esquema.
O Fantástico teve acesso a editais publicados por quatro prefeituras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina em que a Kopp venceu a licitação. Nos de Lagoa Vermelha, Erechim e Rio do Sul, trechos inteiros são exatamente iguais.
Sem saber que está sendo gravado o funcionário da Eliseu Kopp, Jean Carlos Ferreira, admite a montagem de editais para direcionar a licitar em favor da empresa.
“Esse aqui é o meu produto. Se você gostar, eu vou te dizer quais são as especificações dele. Eu vou te dar uma ajuda. E tu ‘vai’ montar. É assim que as prefeituras fazem. É legal”, afirma.
Não. Isso é crime contra as licitações. E contra o bolso do contribuinte.
“O que nós constatamos nesses editais são situações de possível direcionamento dessas licitações em função, por exemplo, da especificação dos equipamentos que estão sendo demandados. Um edital direcionado seria uma falha gravíssima”, diz Cezar Miola, vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Gande do Sul.
Há dois anos em Carazinho, no interior gaúcho, o promotor da cidade conseguiu suspender as lombadas e radares da Eliseu Kopp. Mas a razão foi outra. Ele descobriu que 85% da arrecadação com multas seriam repassados à empresa. Quanto mais multas, mais dinheiro para a Kopp. Em outra cidade do interior gaúcho, Vacaria, a cláusula do contrato que previa os repasses à empresa foi suspensa. Em um ano, a prefeitura economizou R$ 1 milhão.
O repasse de percentuais de multas às empresas como a Eliseu Kopp pode livrar milhares de motoristas das penalidades. Isso porque as multas podem ser anuladas. Foi o que decidiu a Justiça do Ceará depois de denúncia feita pelo procurador da República Oscar Costa Filho.
“Uma resolução do Contran de outubro de 2002 diz que todas aquelas multas que tenham com base em contratos que estipulassem a chamada cláusula de produtividade ou cláusula de remuneração – o que significa quanto mais multas se aplica mais se arrecada – devem ser imediatamente retiradas do sistema”, explica.
E o que acontece quando o radar não está onde deveria? Em 2009, um estudo apontou os 50 trechos de rodovias brasileiras onde mais acontecem acidentes com mortes.
“As pessoas que estão sendo mortas todos os dias no trânsito acabam sendo totalmente desvalorizadas por estudos que estão sendo mal feitos e radares mal colocados”, comenta o programador Israel dos Santos Rodrigues.
Segundo o levantamento, lidera o ranking de mortes um trecho na Rodovia BR-282, no oeste de Santa Catarina. Na semana passada, 27 pessoas morreram em um acidente envolvendo um ônibus e uma carreta.
“Nós temos que fiscalizar, usar os equipamentos disponíveis, a tecnologia que está aí para salvar vidas, desde que tenham critérios para isso. E, claro, um dos critérios é que não tenha falcatrua, tráfico de influências, interesses. Os radares devem estar nos locais onde realmente vão salvar vidas. E falcatrua com vidas é inadmissível”, ressalta Diza Gonzaga, da Fundação Thiago Gonzaga Vida Urgente.
O Fantástico pediu explicações para as empresas citadas na reportagem.
“A empresa não participa de acordos de mercado. A empresa não faz direcionamento de editais. Pelo que eu vi da declaração, foi dentro de uma conversa informal onde o funcionário estava dizendo ao pretenso representante da prefeitura que ele estava oferecendo uma especificação do produto. Até porque essa não é, não foi e nunca será a orientação da empresa”, afirma Nelson Momo, diretor da Kopp.
A Consilux também se manifestou.
“A nossa política é muito clara: não admitimos nada parecido com isso. Todos os nossos contratos são muito transparentes. Não existe a menor possibilidade de ter qualquer tipo de negociata”, diz o diretor-presidente da Consilux, Aldo Vendramin.
Em nota, a empresa Splice, de Votorantim, no interior de São Paulo, disse que repudia esquemas ilegais e que afastou o funcionário mostrado na reportagem.
Na capital paulista, a Consladel divulgou nota negando as irregularidades denunciadas e que o vendedor da imprensa imaginava estar negociando com um representante comercial, por isso, a oferta de comissão.
A Perkons, de Curitiba, disse que vai se manifestar depois de a reportagem ir ao ar. O advogado da Dataprom, também de Curitiba, disse que a empresa desconhece as práticas reveladas pelo Fantástico.
Procuradas, as prefeituras de Erechim e Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul, e Rio do Sul, em Santa Catarina, negaram que os editais tenham sido direcionados para favorecer a empresa Eliseu Kopp.
O secretário de Infraestrutura e Logística do Rio Grande do Sul, a quem o Daer é subordinado disse que o coordenador Paulo Aguiar será exonerado do cargo nesta segunda-feira (14).
“Ver um agente privado oferecendo vantagens a um agente público narrando essa obtenção de vantagens é realmente personificar corrupção e algo revoltante”, avalia o procurador-geral do Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul, Geraldo da Camino.